Crítica | “Zootopia 2” volta maior, melhor e impossível de ignorar

“Zootopia 2” chega aos cinemas como aquela continuação de tom duvidoso – dado o histórico recente de continuações péssimas e desnecesssárias – que ninguém pediu e que não sabíamos que precisávamos, mas que acerta em cheio os nossos corações. É uma expansão criativa de um universo que já nasceu grandioso. Vale lembrar que ‘Zootopia’ (2016) encantou o público e conquistou o Oscar de Melhor Animação, consolidando-se como uma das obras mais inteligentes e socialmente afiadas da Disney. A nova produção honra esse legado ao mesmo tempo em que ousa ir além, entregando um filme vibrante, ativo e visualmente arrebatador, com um salto técnico evidente.

Se o filme original estabeleceu a química irresistível de Judy Hopps e Nick Wilde, aqui essa dupla ganha ainda mais força. Seus diálogos estão mais afiados, suas personalidades mais amadurecidas e a parceria entre ambos atinge um grau de naturalidade comovente. Judy continua sendo a voz da perseverança otimista, enquanto Nick mantém seu charme irônico. Ambos, porém, trazem novas camadas emocionais que reforçam por que eles foram o coração do longa premiado.

A chegada de Gary, um dos novos personagens, acrescenta frescor e densidade à narrativa. Ele surge com presença marcante e uma personalidade forte, contribuindo de maneira significativa para o avanço da história. Gary ajuda a ampliar as leituras sociais de Zootopia e cria contrapontos interessantes com Judy e Nick. Sua participação não é apenas complementar, mas essencial para o crescimento emocional e narrativo do filme.

Outro destaque importante, especialmente para o público brasileiro, é a dublagem em português. O trabalho é tecnicamente impecável e conserva o humor, a expressividade e o timing dos personagens. As vozes brasileiras entregam performances vibrantes que potencializam tanto os momentos cômicos quanto os dramáticos, fortalecendo ainda mais a experiência nacional com o filme.

Um dos maiores méritos de “Zootopia 2” está na forma como a produção aprofunda o tema da coexistência entre diferenças. O longa explora tensões sociais, choques culturais e dinâmicas de convivência que dialogam diretamente com questões contemporâneas. A pluralidade de espécies e perspectivas deixa de ser apenas parte do cenário e se transforma em motor emocional e reflexivo da narrativa.

A expansão geográfica da cidade também chama atenção. Ao apresentar novas regiões de Zootopia, o filme amplia o escopo do universo, cria novas possibilidades narrativas e reforça o caráter vibrante da metrópole. Essa construção de mundo é rica e visualmente impressionante, contribuindo para a imersão e a grandiosidade da história.

Combinando ação, comédia e drama, “Zootopia 2” entrega um equilíbrio sólido e uma energia emocional coerente com o que fez o primeiro filme ser tão premiado e querido. Com Judy e Nick mais fortes do que nunca, Gary trazendo frescor e personalidade e a dublagem brasileira entregando um trabalho impecável, esta continuação consegue revisitar e ao mesmo tempo elevar tudo aquilo que tornou o original icônico.

A continuação não é apenas o retorno a um universo vencedor do Oscar. É a prova de que boas histórias, quando revisitadas com propósito, sempre têm mais a oferecer. E aqui, oferecem muito.

Nota: ✨✨✨✨

Por Ester Graziele

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