“Wicked: For Good” é um dos filmes mais esperados em 2025! A segunda metade de um fenômeno que, nos últimos dois anos, devolveu ao público a sensação de assistir e reconhecer instantaneamente um clássico em formação nas telas. Se a primeira parte já apontava para essa direção, é aqui que o projeto se consolida, mais visceral e igualmente poderoso em tudo que se propõe a fazer.
Esta conclusão dialoga com o primeiro filme de forma inteiramente coerente, expandindo seus temas com maturidade e mantendo uma unidade estética e narrativa rara em adaptações deste porte. Essa adaptação trata-se de um espetáculo, um mundo gigantesco, detalhado e construído com precisão. A direção e a montagem assumem protagonismo, especialmente no uso expressivo de espelhos e reflexos, que evocam identidades multiplicadas e percepções fragmentadas.
O diretor Jon M. Chu atinge aqui seu ponto de maior liberdade e maturidade estética dentro da obra Wicked. Se na primeira parte ele já demonstrava domínio sobre o gigantismo visual e o espetáculo musical, nesta continuação sua assinatura se torna ainda mais evidente, Chu reduz o escopo narrativo sem perder a grandiosidade, estreitando o foco nas protagonistas e em suas tensões emocionais enquanto mantém intacto o deslumbramento formal que sustenta o universo de Oz.
Um ponto central precisa ser reforçado: o universo de “O Mágico de Oz” não é o foco, e nunca foi. O público que espera revisitar a longa caminhada nos tijolos amarelos pode sair frustrado, porque Dorothy continua tão irrelevante aqui quanto sempre foi no musical. Sua presença no teatro e no cinema é quase simbólica, um eco distante. E isso se estende também ao Leão Covarde, ao Homem de Lata e ao Espantalho, figuras que surgem de maneira pontual, quase como notas de rodapé em uma narrativa que nunca pretendeu ser sobre eles. Seus momentos funcionam como pequenas chaves de ligação com o universo original. Mas para quem deseja respostas completas ou uma imersão aprofundada em suas jornadas, a verdade é simples: essa história não é deles.
A trajetória completa está em O Mágico de Oz, e é lá que essas figuras ganham protagonismo. Aqui, suas origens aparecem apenas como peças complementares de um quebra-cabeça maior, cuja profundidade está voltada para outro centro emocional. E uma personagem que não deve ser escanteada é Nessarose (Marissa
Bode), a Bruxa Má do Leste, cuja presença, trágica é essencial, funciona como o par perfeito para ela mesma, uma personagem construída para ser a faísca que acende conflitos decisivos e aprofunda a jornada de Elphaba. Wicked nunca se propôs a recontar velhas mitologias, mas a deslocar o foco para onde sempre
deveria ter estado: na amizade monumental, política, e complexa entre Elphaba e
Glinda.
E essa relação ganha vida graças às performances centrais. Cynthia Erivo entrega uma Elphaba densa e arrebatadora, enquanto Ariana Grande surpreende pela sensibilidade, humor e vulnerabilidade, revelando uma compreensão profunda da essência de Glinda. Juntas, conduzem o filme com força e naturalidade, sem jamais buscar ser maiores do que a própria obra, e esse equilíbrio preserva a
grandiosidade de Wicked.
O tom da narrativa transita entre momentos de leveza quase “bobos” para passagens emocionalmente potentes, criando um equilíbrio que amplia a conexão com o público. No campo musical, a produção se destaca novamente: as canções surgem com fluidez, nunca interrompendo a história, mas integrando-se a ela com qualidade. A trilha, mais uma vez, é fascinante.
Do ponto de vista estético, a direção aposta em cores marcantes, composições quase teatrais e um ritmo hipnótico que reforça a atmosfera mágica do universo. “Wicked: Parte II” é um filme que se desdobra em camadas, inicialmente simples, mas revelando complexidade conforme avança. Essa sinceridade na construção do espetáculo faz com que ele não precise reinventar o gênero musical, basta ser fiel, e
é justamente isso que o torna tão eficiente.
O desfecho é belo e emotivo, deixa a sensação de que mais tempo com essas personagens seria bem-vindo. Juntos, os dois filmes formam uma obra completa e impossível de dividir por preferência: não há melhor ou pior, há apenas complementaridade. São histórias que se espelham. Para quem busca um musical no cinema executado no mais alto nível, com efeitos impressionantes, músicas inesquecíveis, cenas visualmente grandiosas e atuações marcantes, Wicked se firma como o primeiro da lista ao entregar duologia impecável.
Nota:✨✨✨✨✨
Por Rebeca Furtunato