Há algo reconfortante em assistir a um filme como “Frankie e os Monstros”. Dirigido por Steve Hudson (As Irmãs Vampiras), o longa traz de volta aquela sensação gostosa de quando, na infância, assistíamos a produções repletas de criaturas estranhas, castelos sombrios e risadas fáceis durante o mês de outubro. Embora não seja exatamente um filme sobre o Halloween, ele capta perfeitamente o espírito da data: o encanto de se divertir com o que, à primeira vista, parece assustador.
Bebendo da fonte do clássico “Frankenstein”, de Mary Shelley, “Frankie e os Monstros” revisita o mito da criação com um olhar mais afetuoso e voltado ao público infantil. Aqui, a narrativa ganha leveza e humor ao colocar em foco a criatura, um pequeno “monstro” que, mais do que assustar, quer apenas ser aceito e encontrar seu lugar no mundo. Frankie é sensível, curioso e, acima de tudo, carente de afeto. Criado por um cientista excêntrico que o abandona, ele embarca em uma jornada de autodescoberta que mistura humor, ternura e uma pitada de melancolia.
O roteiro, ainda que previsível, funciona bem por unir temas universais, como rejeição, amizade e o desejo de ser amado. Na obra existe uma narrativa divertida, capaz de entreter tanto crianças quanto adultos. As lições são simples, mas eficazes: às vezes, quem chamamos de “monstro” é justamente quem mais precisa de acolhimento. Para os monstros, os verdadeiros vilões são os humanos; para os humanos, os monstros são o perigo, e é nesse embate que o filme encontra sua delicadeza, mostrando que o medo do diferente ainda é um dos maiores monstros da vida real.
A trama ganha ritmo quando Frankie se envolve com um circo, acreditando ter finalmente encontrado um lugar onde é visto e valorizado. No entanto, o encanto logo se desfaz quando ele percebe que está sendo explorado, uma crítica sutil à forma como a sociedade transforma até a inocência em espetáculo. É nesse ponto que o filme mostra seu coração: Frankie não quer fama nem glória, ele só quer ser amado. Visualmente, “Frankie e os Monstros” encanta. A coprodução alemã-luxemburguesa aposta em um estilo que lembra histórias em quadrinhos, com traços exagerados e cenários envolventes. Tudo é colorido na medida certa, alternando entre o bizarro e o acolhedor. É um filme leve e cheio de boas intenções. Talvez não traga grandes surpresas, mas compensa com carisma e um toque de nostalgia que aquece o coração.
Nesta época mais “assustadora” do ano, esse filme é uma ótima opção para quem quer se divertir em família. Ir aos cinemas reviver o encanto das histórias de monstros reforça uma verdade atemporal: os melhores contos sobre monstros sempre foram sobre nós mesmos, nossas fragilidades, nossos medos e a eterna vontade de sermos aceitos do jeito que somos.
Nota: ✨✨✨
Por Rebeca Furtunato