“O Último Rodeio” é aquele tipo de filme que parece nascer já dentro de um molde conhecido — um herói em crise, uma cidade pequena do interior, a promessa de redenção no horizonte poeirento e o som de botas sobre a terra. Tudo soa familiar, desde os enquadramentos do pôr do sol até o discurso final sobre esperança e superação. Ainda assim, há algo de sincero na forma como o longa decide abraçar o clichê, sem ironia nem pretensão.
Ele segue a cartilha dos dramas rurais norte-americanos, mas encontra em sua fé — literal e simbólica — a força necessária para não desabar sob o peso da previsibilidade. É essa fé, tanto na narrativa quanto na crença dos personagens, que dá alguma consistência à jornada do protagonista. O filme entende que não precisa reinventar o gênero, apenas acreditar o suficiente em sua própria simplicidade para fazê-la funcionar.
A direção aposta em imagens limpas e uma trilha sonora que acentua o tom quase pastoral da história, enquanto o elenco sustenta o enredo com interpretações corretas, ainda que pouco memoráveis. No fim, “O Último Rodeio” não é sobre o que surpreende, mas sobre o que conforta — um retrato da persistência e da esperança pintado com os tons de um cinema que prefere o seguro ao arriscado.
Pode não ser um grande filme, mas é honesto o bastante para conquistar quem ainda acredita que, entre poeira e silêncio, há sempre espaço para um último ato de fé.
Nota: ✨✨✨
Por Ester Graziele